Início para quem está no início

Sempre achei os blogs uma das coisas mais interessantes que já foram criadas na internet. Um formato que atrai pelas infinitas possibilidades de personalização, podendo criar e publicar o que quiser e na hora que quiser; mas que também se destaca pelas infinitas formas de interação com os outros, começando pela caixa de comentários e estendendo-se pela troca de experiências e conhecimentos entre um ou mais blogs. Pensando hoje, percebo que ele une muito do que portais de notícias têm de bom com o que as redes sociais mais atraem em relação ao contato com outras pessoas – mais direto e mais espontâneo.

Nos últimos dez ou doze anos, devo ter criado uma meia dúzia de blogs, mas larguei eles com poucas semanas de uso. Hoje, percebo que criava um blog sempre com um site grande em mente, pensando em tornar meu recém-criado endereço em uma espécie de Popload ou Pitchfork ou Omelete da vida, mesmo não tendo 1% da disposição ou do traquejo necessário para isso. Logo, postava duas notícias sobre músicas novas ou uma crítica de um parágrafo de um filme que havia entrado em cartaz recentemente, então ia adiando fazer mais um post por um dia, depois uma semana, e quando percebia, já tinha perdido completamente a vontade em manter aquilo, e deletava com uma ponta de frustração na mente por não ter conseguido emplacar mais uma vez algo que achava que me traria sucesso ou algo parecido.

Então, começo este blog com quase nenhum objetivo ou expectativas. Digo quase, porque sempre há algum objetivo ou expectativa ali escondido em qualquer coisa que alguém decide criar. O meu, acredito, seja o sentimento, a intuição de que estou escrevendo mais e de que estou minimamente seguro para trazer esses escritos para um lugar onde as pessoas possam ler. Uma questão de confiança, principalmente.

Mas também criei este blog porque me senti empolgado com uma tendência observei neste ano, e que foi uma das coisas boas que ocorreram na internet em 2020: os blogs estão voltando a ter uma certa relevância. A queda na popularidade dos blogs coincidiu com o crescimento do espaço das redes sociais, mas de repente muitos perceberam que este crescimento acabou sendo mais maléfico que benéfico, e olha só como estamos hoje: convivendo todo dia com uma torrente de destruição, negativismo e egos inflados que está influenciando sociedades inteiras e ditando uma forma de fazer política que está abraçada ao fascismo. Uma torrente que condenou a internet inteira ao fracasso da promessa de liberdade prometida quando esta surgiu, 25 anos atrás.

Em meio a isso, vi muita gente dedicando mais tempo a desenvolver coisas que fugiam da urgência excessiva que as redes sociais deram a tudo que anda sendo feito. Uma volta a um território em que a criatividade é mais valorizada e em que a troca de experiências tem a sua devida importância. Mais pessoas viram novamente nos blogs a volta a este território, e reativaram ou criaram novas contas no Blogspot, no WordPress e no Medium. Uma volta que não têm nenhuma intenção ambiciosa de reconstruir a internet, apenas a de ter um respiro mais profundo e mais tranquilo em meio a tamanha confusão que o Facebook, o Instagram, o WhatsApp e o Twitter estão causando, voluntariamente ou não. E eu senti que preciso ter o meu respiro, também.

Portanto, aqui estou eu. Não pretendo estabelecer nenhuma frequência de publicação dos meus textos, nem estabelecer nenhum tamanho de conteúdo (pode ser um parágrafo ou trinta, sei lá), nem mesmo nenhum tema principal para este blog, apesar que tenho a intuição de que deverá ter algumas coisas surgindo com frequência no meio do caminho – livros, músicas e filmes, principalmente. Apenas pretendo seguir o que minha mente anda pensando e, em especial, o que as mentes de vocês, leitores, também andam pensando. Por isso, peço que deem suas opiniões, interajam, nem que seja aqui ou no meu e-mail e nas minhas redes sociais. Pretendo aprender comigo e com vocês neste singelo espaço.

Vamos nessa.

***

O nome deste blog é emprestado de um EP de umas minhas bandas favoritas, o Spoon. Este pequeno trabalho, de cinco músicas, foi lançado pouco depois do primeiro disco deles, lá em 1997. Comparado com o que eles vieram a fazer nas duas décadas seguintes, acaba sendo um trabalho menor, mas devo ter ouvido tantas vezes esses quinze minutos nos últimos anos que criei uma simpatia especial por eles. Busquem o disco nos tocadores de sua preferência, mas fiquem com uma amostra desta pequena peça de criatividade em forma de música:

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